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Durante a noite, um terremoto de 5,6 graus atingiu a mesma região da Indonésia, segundo informações do Observatório. Ainda não há informações sobre vítimas.
Desde o dia 26 de dezembro, centenas de pequenos tremores e réplicas vêm abalando a região.
Nas Filipinas, um tremor de 4,9 graus na escala Richter atingiu a ilha de Jolo nesta quinta-feira. Não há informações sobre vítimas ou danos materiais, segundo especialistas locais.
O epicentro do terremoto foi localizado a 130 quilômetros a leste de Jolo, segundo o Instituto de Vulcanologia e Sismologia das Filipinas.
Os especialistas também afirmaram que o terremoto provavelmente não originará réplicas na região.
As Filipinas estão em uma região do Pacífico conhecida como"Cinturão de Fogo", onde terremotos e atividade vulcânica são comuns. O mais forte terremoto na região aconteceu em 1990, quando um abalo de 7,7 graus na escala Richter matou ao menos 2.000 pessoas no país.
ONU
O Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) pediu nesta quinta-feira à comunidade internacional US$ 256 milhões para fornecer alimentos durante seis meses a dois milhões de pessoas afetadas e traumatizadas pelo terremoto que assolou o sudeste asiático há 12 dias.
Durante a conferência internacional de doadores celebrada hoje na capital da Indonésia, o diretor do PMA, James Morris, divulgou esse valor que, segundo dle, está incluído no pedido de US$ 977 milhões feito pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Morris indicou que a quantia solicitada pelo PMA ajudará as populações dos países do sudeste asiático e do litoral oriental africano afetadas pela catástrofe do dia 26 de dezembro.
Além disso, indicou que são necessárias 169 mil toneladas de alimentos, que terão um custo de US$ 185 milhões, para ajudar dois milhões de pessoas.
Morris acrescentou que, diante das "enormes dificuldades para chegar a áreas remotas nas quais a infra-estrutura foi destruída, serão necessários outros 71 milhões de dólares para logística, transporte e comunicações em toda a região, como já foi feito no Afeganistão e no Iraque".
Promessas
As promessas feitas por cerca de 50 países elevaram-se consideravelmente na quinta-feira. A Austrália anunciou o envio de 765 milhões de dólares enquanto a Alemanha comprometeu-se com a remessa de 680 milhões.
Mas parte desse dinheiro virá na forma de empréstimos e deve ser destinada aos esforços de reconstrução a serem feitos nos próximos três a cinco anos. Ou seja, essa fatia das doações não seria gasta com o atendimento das necessidades básicas das vítimas.
Outros países, como os EUA e Cingapura, podem incluir nos montantes de ajuda prometidos a contribuição já oferecida na forma de mobilizações militares e de envio de helicópteros e navios.
O apelo da ONU, feito em um relatório de 95 páginas, fala especificamente nos casos da Indonésia (que precisaria de 371 milhões de dólares), das Maldivas (66,6 milhões), das Seichelles, (8,9 milhões), da Somália (10 milhões) e do Sri Lanka (167 milhões).
Números desconhecidos para sempre
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, teme que o número de mortos na tragédia de 26 de dezembro no Oceano Índico cresça, mas disse nesta quinta-feira que o número final de pessoas mortas pode ficar desconhecido para sempre.
Em declarações feitas durante o encontro internacional sobre a ajuda, em Jacarta, Annan disse também que as Nações Unidas vão incentivar o estabelecimento de um sistema de alarme de tsunami no Oceano Índico.
"Como parte desta conferência nesta manhã, muitos líderes que falaram indicaram ser importante que criemos um sistema de advertência nesta parte do mundo", disse Annan a repórteres.
"Vamos incentivar o estabelecimento de um sistema de advertência e trabalhar com os governos."
Autoridades disseram que o número de mortos, agora em cerca de 145.000, no terremoto mais forte em 40 anos e no tsunami que ele provocou, teria sido menor se houvesse um sistema para avisar as pessoas a deixarem as áreas de praia.
Antes, Annan fez um novo apelo por ajuda, dizendo que as Nações Unidas precisam de 977 milhões de dólares pra cobrir as necessidades humanitárias de cerca de 5 milhões de pessoas na área do Oceano Índico.
"Pode ser que nunca saberemos o número real de mortos, mas os números deverão subir porque nem todas as partes de Sumatra e Aceh (na Indonésia) foram avaliadas. A avaliação continua e podemos descobrir novos corpos", disse.
Annan disse que a ONU está liderando os esforços de ajuda humanitária e que um grupo formado por Estados Unidos, Austrália, Cingapura e Índia está dando apoio logístico.
"Sem esta contribuição essencial teria sido extremamente difícil chegar àqueles em necessidade," disse.
Veja a seguir os números de mortos por país:
| PAÍS |
MORTOS |
FERIDOS |
| Indonésia |
94.081 |
mais de 100 mil |
| Sri Lanka |
30.527 |
15.686 |
| Índia |
15.693 |
sem dados |
| Tailândia |
5.291 |
8.457 |
| Somália, Quênia, Seychelles e Tanzânia |
137 |
sem dados |
| Maldivas |
74 |
sem dados |
| Malásia |
74 |
299 |
| Mianmar |
59 |
45 |
| Bangladesh |
2 |
sem dados |
| Total |
145.938 |
sem dados finais |
A Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda estima haver mais de 500 mil pessoas feridas e precisando de atendimento médico nos seis países asiáticos afetados.
No vilarejo de Meulaboh, localizado na Província de Aceh (Indonésia) e onde teriam morrido até 40 mil pessoas, uma pista de pouso e decolagem foi liberada o suficiente para permitir a chegada de um avião de pequeno porte com médicos a bordo. Foram distribuídos analgésicos, bandagens e roupas para a população.
"O número de vítimas em Meulaboh é inimaginável", afirmou Aitor Lacomba, diretor indonésio do Comitê Internacional de Resgate. "Dezenas de milhares de pessoas precisam de ajuda imediatamente ali."
Apesar dos problemas, a distribuição de material de ajuda também parecia estar melhorando em outros locais.
"A situação em Banda Aceh (capital de Aceh) está melhorando no geral. O atraso na distribuição do material de ajuda está sendo resolvido", afirmou o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, da ONU.
Em toda a Ásia, aumentava o temor de que se disseminem doenças.
"Essa é uma corrida contra o relógio", disse a OMS em seu comunicado mais recente.
A entidade afirmou já ter recebido vários relatos sobre casos de malária e de dengue e centenas de relatos sobre casos de diarréia e de feridas infectadas.
Crianças mortas
O Unicef estima que cerca de 50 mil crianças morreram por conta do tsunami e dezenas de milhares ficaram órfãs.
Em Aceh, Ulisarati, uma garota de 8 anos cuja escola foi destruída, espera voltar à rotina o quanto antes.
"Eu quero voltar para a escola. Quero aprender. Vou pedir ao papai que ache outro lugar para mim", diz.
Com esse número de mortos, esse passa a figurar entre as grandes tragédias naturais de que se tem notícia. Veja tabela abaixo com os principais.
| DATA |
TIPO |
LOCAL |
MORTOS |
| 1887 |
Inundação |
China |
1 milhão |
| 1556 |
Terremoto |
China, Shaansi |
830 mil |
| 1737 |
Terremoto |
Índia, Calcutá |
300 mil |
| 1970 |
Ciclone |
Paquistão/Bangladesh |
300 mil |
| 1976 |
Terremoto |
China, Tangshan |
255 mil |
| 1138 |
Terremoto |
Síria, Aleppo |
230 mil |
| 1920 |
Terremoto |
China, Gansu |
200 mil |
| 1923 |
Terremoto |
Japão, Kanto |
143 mil * |
| 1991 |
Ciclone |
Bangladesh |
138 mil |
| 1948 |
Terremoto |
Turcomenistão |
110 mil |
| 1908 |
Terremoto/Enchentes |
Itália, Messina |
70 mil a 100 mil |
| 1815 |
Erupção |
Indonésia, vulcão Tambora |
92 mil |
| 1902 |
Erupção |
Martinica, Mt. Pelee |
35 mil a 40 mil |
| 1883 |
Erupção/Tsunami |
Indonésia, Krakatoa |
36 mil |
| 2003 |
Terremoto |
Irã, Bam |
31 mil |
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